Inicio a escrita deste artigo com um pedido de desculpas oficial: peço desculpa pela arrogância e prepotência que exibi nas minhas crónicas anteriores. Foi rude, desrespeitoso, e ofendeu os sentimentos de muita gente, e ninguém se importa mais com sentimentos alheios do que eu. Aproveito também para referir o quão sinceramente espero que ninguém tenha pensado que estou a falar a sério, porque não estou – deixem lá de ser parvos e não se ofendam com tudo, ou então ofendam-se e amuem, fica bem para a vossa idade.

(…) decidi, mais uma vez, refrescar esta série de crónicas ao escrever sobre o que merece ser falado – boa música.

É factual que demorei um pouco a escrever esta nova crónica. Para as duas ou três pessoas que devem ter reparado nisso, justifico-me primeiramente com o facto de não ter a vossa vida, e em segundo com o facto de estar a preparar algo que envolve a participação de mais pessoas, logicamente demorando mais tempo. No entanto, tentarei ser mais consistente de futuro. Considerando que os meus testamentos sobre as parvoíces que conspurcam a cena já enfiaram muitas carapuças, e a partir do momento em que eu próprio creio que estou a ficar repetitivo (qualquer dia viro trve), decidi, mais uma vez, refrescar esta série de crónicas ao escrever sobre o que merece ser falado – boa música. Este é o Salão dos Heróis II, desta vez dedicado exclusivamente a bandas no activo. Os links para as páginas das bandas estão acessíveis clicando nos títulos, logo considerem-se convidados a investigar estes projectos, e, acima de tudo, espero que gostem!

Primal Attack

Começando em grande com uma banda que na minha opinião lançou um dos álbuns mais bem-feitos e interessantes dos últimos tempos, no contexto da cena portuguesa. Heartless Opressor, o seu último lançamento, é essencialmente uma descarga de agressividade que, longe de ser o típico thrash/death genérico, tem tudo para deixar mossa. Aproveito para dizer que o espectáculo ao vivo deles é algo digno de se ver, sendo que testemunhei a capacidade destes cavalheiros na sua apresentação do álbum em questão no Porto. Todos os temas foram entregues com uma alta dose de energia – daquelas que deixa alguém cansado só de olhar –, sendo que os mesmos foram executados com a técnica e mestria dignas de uma banda que já dá que falar.

Blame Zeus

Desviando um pouco do heavy metal, Blame Zeus são uma cara relativamente recente da cena nacional, se bem que já nos presentearam com um álbum de estreia que apresentou Portugal ao seu rock alternativo. O “Identity” já me tinha captado moderadamente a atenção; no entanto, foi a sua última obra que realmente me agarrou – o álbum “Theory Of Perception”. Esta obra é, sem dúvida, algo fora do comum na cena nacional nos dias de hoje, desse modo contribuindo activamente para alargar um pouco os horizontes da música portuguesa e provando que um pouco de originalidade é bom e recomenda-se. Deixo convosco o lyric video do seu último single, The Moth – sem chamas nem Lady GaGa, mas um óptimo tema na mesma. Peço desculpa por esta piada horrível, eu também não gosto de ser assim.

The Autist

Um verdadeiro caso de “quem te viu e quem te vê”. O enorme salto de qualidade que esta banda deu em relação ao seu primeiro lançamento resultou no que decerto será um álbum de qualidade brutal, que por sua vez irá compensar todo o tempo de espera. A qualidade técnica e artística das músicas “Pandora’s Curse” e “The Sanctuary” é inegável, e o mesmo vale para a produção dos videoclips que acompanham cada música. Estas duas músicas são, portanto, os singles do álbum de estreia dos The Autist, intitulado “The Coldest Sun”, uma obra que parece ser o lançamento ideal para fãs de música extrema com boas doses de melodia e posteriormente baptizada com vocais melódicos femininos de qualidade excelsa. Aguarda-se ansiosamente!

Carma

Doom com uma produção tremendamente roufenha, que  por sua vez contribui imenso para conferir aos Carma um encanto próprio. O que me atrai mais nesta banda são os poderosíssimos riffs de guitarra, com momentos mais e menos “pesados” (em toda a subjectividade inerente ao termo), nunca perdendo aquele toque depressivo característico ao género e profundamente inerente à banda. Aviso: isto ocasionalmente tem assim um je ne sais quois de hipster; doses exageradas de Carma podem causar o crescimento de bigode e surtos esporádicos de veganismo. Apesar disso, nada temam e consumam Carma sem moderação, porque vale a pena, e além disso, ser hipster nem é assim tão mau – até começam a usar expressões todas pipis como je ne sais quois.

Destroyers Of All

Para finalizar este plantel de sonho, ninguém melhor do que Destroyers Of All, um nome apropriado para quem manda a casa abaixo em cada concerto que dá. O seu álbum de estreia, que saiu no ano passado, demonstra um grande número de influências dentro e fora do metal extremo, que na minha humilde opinião, culminam no tema espectacular que é “Tormento”, uma mistura inspiradora entre metal e fado, com direito a um videoclip realizado pelo Guilherme Henriques. Deixo convosco essa fantástica obra de arte no link em baixo para poderem testemunhar os Destroyers a honrarem devidamente a nossa herança cultural.

E é basicamente isto, senhoras e senhores. Apreciem, opinem, tornem-se fãs e oiçam música que dá saúde!


O espaço de crónica na MOSHER TV é da inteira responsabilidade dos seus autores, a quem agradecemos a colaboração.

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Biólogo, músico e escritor freelance com a mania que sabe tudo.