Provenientes do Porto, os Dementia 13 aglomeram um conjunto de talentos nacionais de inegável qualidade. Este foi um dos motivos que levou à sua “convocatória” no Mosher Fest de novembro. É o motivo que nos leva a entrevistar o guitarrista e mentor do projeto Álvaro Fernandes, uma figura incontornável do underground nacional.

MOSHER TV – Os Dementia 13 são uma “superbanda” portuguesa com membros de outras bandas com grande reconhecimento. Já tocaram em muitos festivais e editaram dois álbuns – quando formaram o projeto, contavas com a projeção que a banda atingiu?
ÁLVARO FERNANDES – Nem contávamos com tanto, nem que fosse tão depressa. Tudo aconteceu muito rápido. Nunca em nenhuma banda minha tinha editado um primeiro trabalho (EP) por uma editora e um ano e meio depois o segundo (álbum) por outra. Foi muito bom o feedback, principalmente lá fora. Como já disse, não estávamos a contar. “Superbanda” por acaso não gosto mas felizmente estava entre aspas 🙂 Sim, desde o início que quisemos contar com a colaboração de várias pessoas do Underground. Fossem músicos, designers, editoras, etc. No que diz respeito a músicos, a ideia foi sempre termos um variado leque de talentos diferentes que pudessem contribuir positivamente para a banda, ainda que com a escassez em Portugal de pessoal dedicado ao Underground e dentro do espírito e sonoridade de Dementia 13. Gravávamos com um baterista e tocávamos com outros dois ou três diferentes. Tivemos vários vocalistas também. Como a banda é um projecto paralelo assumido, achamos que funciona bem assim. E todos aprendemos/evoluímos uns com os outros.

Qual foi o concerto que mais te marcou, a nível pessoal?
Esta é muito difícil! Talvez a dupla de concertos que fizemos com os Obituary. Tecnicamente não foram perfeitos mas nota-se que a banda estava na sua melhor forma nessa altura. Foram ambos casas cheias, grande som e ambiente, público excelente, muitos amigos lá… Ainda há pouco disponibilizamos o video do de Lisboa na íntegra no nosso canal do YouTube. Visitem!

A principal motivação lírica da banda continuam a ser os filmes de culto. De onde surgiu essa ideia e como conseguem verter essa temática para a sonoridade dos Dementia 13?
Na sua fase inicial de concepção, é um pouco complicado. Primeiro componho o tema na guitarra, idealizo a bateria e no estúdio do Marco S. fazemos uma pré-produção. Depois tento conjugar um filme com o espírito e sonoridade do tema. Quando escolho o filme, vou revê-lo e tirar notas, apontamentos, frases, ideias. E depois começo a compôr as linhas vocais e a escrever a letra. É um processo muito moroso, ainda por cima eu não tenho tanto tempo disponível assim. A ideia surgiu já há muito tempo pois sempre pensei que se um dia criasse algo dentro desta sonoridade, iria ser precisamente com esta temática e feito desta forma. Há muito que já pensava nisto e como adoro ambos os mundos, nada melhor que juntá-los. Muitas outras bandas antes de nós fizeram o mesmo. Muitas delas inspiraram-nos musicalmente também. Tudo em Dementia 13 é um tributo tanto ao Death Metal com que crescemos e gostamos como ao cinema de Terror que nos influencia.

 

Em termos puramente musicais, quais são as vossas principais influências?
Facílimo 😉 Morgoth, Resurrection, Brutality, Malevolent Creation, Death, Benediction, Cancer, Pestilence, Bolt Thrower, Necrophagia, Genocide, Massacre, Sinister, Grave, Obituary, Convulse e outras!

Como é que conseguem conciliar as vossas agendas (e das vossas bandas) para espalhar magia com os Dementia 13? Parece que é preciso ter os planetas bem alinhados!
É complicado, realmente. Ainda por cima com vidas profissionais, imcompatibilidades de horários, músicos convidados, etc. Mas com gosto e grande esforço, sempre se arranja tempo para fazermos o que mais gostamos!

O que esperas deste Mosher Fest? Há alguma banda em específico, que queiras ver?
Maluqueira, claro! Bom ambiente e visitar novamente uma sala onde no passado vi vários concertos inesquecíveis e onde também pisei o palco uma vez, juntamente com o Z. Pedro, curiosamente. O Underground Nacional é pequeno! Gosto de DR Living Dead e como é a única banda do cartaz que nunca vi, estou curioso.

Deixa-nos com uma lista de álbums que andas presentemente a ouvir.
Deixa lá ver… Aqui vão os mais recentes:
Watchtower – Concepts of Math: Book One EP
Condition Critical – Extermination Plan
Bleached — Welcome the Worms
Sodom — Decision Day
Booby Trap — Overloaded
Xana – Manual de Sobrevivência


O Mosher Fest decorre este sábado, pelas 21h30. As reservas poderão ser efetuadas aqui.

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