Entrevista a Miguel Tereso de Primal Attack

Miguel Tereso tem-se revelado como uma das personalidades do underground nacional mais flexíveis, conciliando o seu papel de guitarrista e compositor nos Primal Attack com as tarefas de produtor no seu Demigod Recordings. Com um futuro promissor pela frente, Tereso esteve à conversa com a MOSHER TV acerca de um presente igualmente rico.

Depois de “Humans”, o álbum de estreia de 2013, surge agora “Heartless Oppressor”. Como foram estes quatro anos, entre os lançamentos dos dois álbuns?

Antes de mais obrigado, pelo vosso interesse no nosso trabalho e por me receberes na MOSHER TV. Ora, quando o “Humans” saiu em 2013 estivemos cerca de dois anos a correr as “aldeias” todas do país e a divulgar a nossa mensagem pela estrada. Chegando ao fim desse período, começámos a cortar nos concertos e a entrar em “modo composição”, o qual se tornou muito mais longo que o que antecipámos devido ao investimento que fizemos em trabalhar os temas da melhor maneira possível, sem pressas. Foi uma jornada que exigiu imenso esforço e dedicação, mas olhando para trás valeu a pena, sem dúvida.

Como é conciliar o trabalho de composição e produção do álbum da tua própria banda? Quão porreiro é poder adiar os prazos de entrega por estares a trabalhar para ti mesmo?

Não é nada fácil. No fim de compor uma música, provavelmente já a ouvi mais de mil vezes. No fim das gravações, são mais mil. Edição e pré-produção, mais umas tantas… quando chego finalmente à mistura e masterização, já não tenho a objectividade e sensibilidade necessárias para fazer um bom trabalho. Enfim, terei de viver com todos os pequenos erros naturalmente derivados desse processo. O facto de não ter prazos tem coisas boas, pois permite-nos envolver a um nível mais profundo no forjar dos temas, mas existe sempre o risco de “paralisia por análise”, uma síndrome da qual sou frequentemente vítima. Felizmente, tenho o Miranda [baixista] na banda, que todos os dias me incute pressão para acabar as coisas.

A nível visual, o grafismo está mais acutilante: logo novo, artwork mais agressivo. A sonoridade também alargou horizontes. Mais agressiva, como deixava a adivinhar com “Humans”. Também mais alternativa, e será esta a principal novidade. Como conseguiram diversificar o estilo e manter a identidade de Primal? Foi natural ou deliberado?

Foi um processo natural. Com a maturidade surgem novas ideias, novas direcções, novas influências que temos curiosidade em explorar. No entanto, apesar de todo este divagar de ideias que constitui o álbum, as nossas raízes fazem parte do ADN da banda e firmam a sua identidade.

O novo álbum de Analepsy for produzido por Miguel Tereso.

Terão agora dois concertos de lançamento, em Lisboa e no Porto. Conta-nos o que poderemos esperar dessas datas.

Podemos esperar uma banda amadurecida e orgulhosa do seu novo trabalho, com uma sede enorme de voltar à estrada e aos palcos. É para nós um grande prazer partilhar finalmente o que temos vindo a fazer com todos os nossos amigos e apoiantes – e claro, tendo os grandes Revolution Within, Analepsy e Dark Oath a ajudar na festa, será sem dúvida um evento a não perder.

A tua atividade como produtor assumiu maior seriedade, recentemente, mas já trabalhaste com mais bandas com excelentes resultados. Conta-nos o percurso de gravações da Demigod Recordings e indica como os interessados poderão entrar em contacto contigo.

Interessei-me por esta vertente da produção musical quando comecei a gravar demos para a minha banda da altura (por volta de 2007/2008) e deparei-me com a típica frustração dos temas soarem muito mal, comparando com os registos mais comerciais. Isso motivou-me a aprender e experimentar por mim as várias técnicas de manipulação de áudio.

Entre 2012 e 2013 já estava um pouco melhor e comecei a gravar bandas de amigos e a minha própria banda Primal Attack (formada por essa altura). A coisa teve um efeito de bola-de-neve cada vez maior e no início deste ano 2017 decidi lançar a marca Demigod Recordings, que incorpora todos os serviços de produção, gravação, mistura e masterização.

Actualmente, e já sob o selo Demigod Recordings, produzi o último álbum de Analepsy, “Atrocities from Beyond” que teve uma recepção muito boa, internacionalmente, e críticas muito positivas. Também produzi o nosso “Heartless Oppressor” e o novo dos The Autist que sairá em breve, entre outros.
No futuro, tenho agendado vários trabalhos com bandas nacionais e internacionais, e o objectivo é continuar a aprender e tentar atingir novos patamares sónicos que marquem a diferença e que vão ao encontro da visão do artista. Estou muito grato por todo o apoio que me têm dado para seguir em frente e espero continuar em força.

Para pedir um orçamento basta ir até ao site www.demigodrecordings.com e preencher o formulário de contacto.

“Heartless Oppressor” sai a 10 de fevereiro pela Rastilho Records.
Eventos de lançamento de “Heartless Oppressor”
(Entrada por 10€ com oferta do CD em formato Digipak):
Porto (com Dark OathRevolution Within)

Lisboa (com Analepsy e Revolution Within)
Demigod Recordings –
 www.demigodrecordings.com – Facebook

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