Os Analepsy são, sem dúvida, um dos maiores casos de sucesso nacional dentro da música extrema, sendo das poucas bandas relativamente recentes que já pisam palcos estrangeiros com uma frequência assinalável. Como tal, a MOSHER TV contactou o frontman Diogo Santana para uma pequena conversa sobre o passado, presente e o futuro da banda.

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“Atrocities From Beyond” foi um sucesso que catapultou a banda ainda mais alto no panorama nacional e mundial. Para quando um novo trabalho e o que novidades podemos esperar no que toca à composição e produção?

Esperamos ter um novo trabalho pronto este ano, estamos a trabalhar para isso, mas oficialmente só em 2019 é que ele poderá, ou não, ser lançado. No que toca à composição e produção vai soar a Analepsy. Vamos ter elementos e ideias diferentes, mas vai respeitar a nossa sonoridade.

Como funciona o processo criativo em Analepsy? Como escrevem as músicas?

Uma vez que vivemos longe uns dos outros, escrevemos as músicas individualmente, mas como temos todos um pseudo-home studio, juntamos as ideias gravadas e fazemos demos, ou por exemplo, eu escrevo uma música e envio para o Tiago [Correia, baterista]. Ele faz a bateria, depois mudo um pormenor ou outro na bateria, ou ele diz para eu mudar um riff ou um pormenor qualquer. Ou então o Marco [Martins, guitarrista] envia-me umas ideias que eu completo e depois o Tiago mete uma bateria ou até mesmo um riff, e assim sucessivamente.

Resumindo a parte de composição: participamos todos, trabalhamos todos em conjunto. O Flávio [Pereira, baixista] tem um papel muito importante na parte de letras. É ele que tem escrito praticamente tudo e tem altas ideias a nível de temática.

Foto de ANALEPSY.

Qual pensas que seja o principal apelo do som de Analepsy, que por sua vez movimentou uns números impressionantes para o panorama nacional?

Boa pergunta! Nós tentámos desde o início ter sempre um som diferente e original. Misturamos death metal, brutal death e slam na mesma panela, mas tentámos sempre fazer cenas originais. Quisemos fazer algo diferente e pronto, saiu isto. Tentámos encaixar uma sonoridade um pouco diferente no nosso parâmetro nacional.

Falemos sobre o Chicago Domination Fest. Como foi a experiência de serem convidados para um festival nos Estados Unidos, onde o vosso nome figura bastante alto no cartaz, ao lado de bandas como Benighted, Korpse e Broken Hope? Vão mudar alguma coisa no vosso espectáculo ao vivo?

O convite para o Chicago Domination Fest foi uma surpresa para nós. Aliás, toda esta novidade da tour nos E.U.A. é uma surpresa para nós, não esperávamos ir a solo norte-americano tão cedo. É um mercado diferente, público diferente, é uma aventura que assusta um bocado sinceramente. Deixa-nos ansiosos e nervosos ao mesmo tempo. Esta tour vai ser com Korpse, Cognitive e Slamentation, pessoal amigo, o que nos vai ajudar mais nesta jornada. Caras conhecidas e tal… ajuda!

Sobre o nosso espectáculo ao vivo, nada vai mudar. Analepsy ao vivo, é tipo “shoot straight to the head”, ’tás a ver? Eu não falo muito com o público como a maior parte dos vocalistas, mas eu não sou um verdadeiro frontman. Não é por mal, sou mais retraído em palco e gosto mais de ir logo directo ao assunto, até o Tiago tem mais contacto com o público do que eu. Gosto mais daquela atmosfera bruta e sólida, e acho que entre nós transmitimos isso essa brutalidade e aquela chapada sonora que é o que tentamos e queremos passar para o público.

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Qual seria a banda com que mais gostarias de partilhar um palco?

Ui, tantas… não sei, já tocámos com muitas bandas que adoramos e com quem acabámos por criar amizade ou acabámos por ver que eram uns autênticos douchebags. Não sei, mas gostava de continuar a partilhar palco com as mesmas bandas com que temos sempre partilhado palco, nacional ou internacional – I don’t care –, quero continuar a crescer e a aprender com elas. É de salientar que crescemos, aprendemos e somos quem somos ao hoje ao lado de amigos e colegas de bandas e pessoal que nos ajudou e apoiou; esses, sim, são quem queremos partilhar palco sempre.

Analepsy é um projecto que já transcende fronteiras, contabilizando milhares de visualizações online e muitas horas de estrada, incluindo várias incursões ao estrangeiro onde partilharam palcos com grandes bandas dentro do espectro mais extremo do metal. Acham que a banda recebe o reconhecimento devido em Portugal por parte de fãs e promotores?

Sim, sem dúvida. Somos uma banda recente e estamos mais do que felizes com o reconhecimento que nos têm dado. Tanto fãs como promotores reconhecem o nosso trabalho e estamos muito gratos e contentes com isso. O pessoal queixa-se muito de “não há condições para as bandas e tal”, “não nos pagam o que merecemos” e etc, mas sinceramente nunca nos faltou nada. De Norte a Sul do país sempre fomos bem tratados. Cada vez mais há festivais e concertos cá, o que é muito bom. Tanto fãs como bandas hoje em dia têm muita oferta e só não há mais porque estamos num canto da Europa, temos uma scene pequena, não há ajudas externas, etc. Mas sem dúvida que temos tido tudo, e estamos felizes.

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Que pensas sobre o panorama nacional no que toca a qualidade e diversidade de bandas dentro do metal?

Cá temos muitas, mas mesmo muitas bandas boas que não têm o reconhecimento devido, e fico pasmado como é que é possível. Temos sem dúvida bandas de excelência, desde death a black, passando pelo thrashhardcoregrindpunk… temos uma scene pequena, mas forte.

Poderia ficar aqui um dia inteiro a falar sobre bandas e músicos nacionais, mas destaco bandas muito boas como Grog, Fungus, Undersave, Cronaxia, Inseminated, RDB, Bleeding Display, Disassembled, Desire, Tod Huetet Uebel, The Voynich Code, Dead Meat, Corpus Christii, Goatfukk, Terror Empire, Vai-te Foder, Goldenpyre, Unfleshed, Nihility, Dark Oath, Misantropia, Infra, Irae, etc. Isto é um pequeno exemplo de bandas e pessoas com quem temos aprendido muito e sem dúvida são bandas excelentes. E destaco também que temos músicos cá que têm deixado a sua marca lá fora.

O que me repugna mais no panorama nacional, são bandas e indivíduos que tentam espezinhar e passar por cima de outros.

Últimas palavras para os fãs?

Desde os nossos fãs a todos os nossos amigos, um grande obrigado por toda a paciência para aturarem a mim e ao Tiago em especial. Vocês sabem do que estamos a falar, e muito obrigado pelo apoio, por acreditarem em nós, e estarem lá para nós. A todos vós, amigos, fãs e bandas que sempre estiveram connosco, um grande bem haja.

Mais informações sobre a banda em www.analepsy.pt

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Biólogo, músico e escritor freelance com a mania que sabe tudo.