Os Claustrofobia são um dos maiores nomes na história do metal sul-americano, contando já com mais de duas décadas (!) de carreira. Com novo álbum na forja, apresentamos o lyric video mais recente, que a banda submeteu à MOSHER TV e entrevistámos a face da banda, Marcus d’Angelo, numa entrevista que aborda o processo de lançamento, a ligação a Portugal, a arte de capa e a participação de Andreas Kisser dos Sepultura.

[NR: Por uma questão de manter a expressividade do entrevistado, mantivemos as respostas no seu Português do Brasil.]


“Download Hatred” acabou de ser lançado na America (para já), contando com distribuição digital para todo o mundo. Sabemos que houve aqui um tremendo investimento da vossa parte – fala-nos um pouco disto.
Primeiramente, muito obrigado pela oportunidade. Sim, investimento de toda ordem, financeiro, tempo, dedicação e amor pela arte da música pesada. Respiramos o Claustro desde a hora que acordamos e até durante o sono. Foram dois anos lapidando esse álbum que consideramos um diamante na nossa carreira; a conclusão de uma era conturbada, porém muito verdadeira. Este disco chega com dois pés na porta de um futuro almejado.

Trouxemos o grande produtor britânico Russ Russell (Napalm Death, Lock Up, Brujeria, New Model Army, etc.) para o Brasil. Alimentávamos uma vontade mútua de trabalhar juntos há mais de dez anos. Contratempos bons e ruins fizeram isso se tornar uma realidade: no nosso melhor álbum, melhores composições e momento. Era uma questão de honra, lançar um álbum como “Download Hatred” e estamos muito satisfeitos com o resultado. O Russ viveu a nossa realidade durante um mês e foi isso que fez o processo algo mágico pra nós. Um sonho realizado.

Claustro é nossa vida, e o metal nosso lifestyle.

Qual foi o maior orgulho na gravação do álbum?
Orgulho de termos uma carreira sólida, de termos o respeito de pessoas do calibre de Russ Russell, Andreas Kisser e Moyses Kolesne, que confiam em nosso trabalho, participando no novo álbum. Orgulho da nossa família que nunca fraquejou e isso é resultado de muita verdade cultivada nas pequenas coisas, onde não há testemunhas. Crescemos muito “subterraneamente”, as raízes se espalharam por baixo e fortaleceram ao longo destes vinte e poucos anos, e apenas agora começou a brotar pra cima tudo que plantámos. Agora sentimos muito mais confiança, tranquilidade pra seguir, temos muito orgulho de não termos nos vendido e termos sempre feito o que quisemos sem misturar muita conversa, mais ação e menos falácia, e isso tudo se reflete neste álbum.

E as partes menos boas?
As partes menos boas são os imprevistos que a vida nos proporciona, como a situação económica do nosso pais e do mundo, problemas de força maior, como doenças e mortes – mas, neste mundo que é imperfeito por natureza, tudo serve de aprendizagem e fortalecimento. Foram muitos altos e baixos, erros e acertos, porém só os fortes sobrevivem. Acredito que não seremos julgados pelos erros e acertos e sim pela conduta na jornada.

Era uma questão de honra lançar um álbum como “Download Hatred” e estamos muito satisfeitos com o resultado.

Como é gerir a ansiedade de terem um álbum pronto para sair há meses e so agora o irem lançar?
É uma sensação foda. É ruim e bom ao mesmo tempo [risos]. Difícil de controlar, pois para nós o álbum parece antigo, mas as pessoas ainda não conhecem. No Brasil veio com tudo, 99.9% de aprovação de quem curte o Claustro e até de quem não era muito simpatizante. Agora estamos super ansiosos para espalhar pelo mundo o nosso metal, que ainda é algo relativamente novo para nós. Para nós, que se foda a crítica; o que importa é fazer a cabeça de quem curte. É mais um filho que fizemos com cuidado máximo e muito sentimento. É adrenalina pura que sentimos ao soltar isso pro mundo.

Assim sendo, quais são as vossas expectativas para este album, a nível nacional e internacional?
Ao nível de Brasil, estamos fazendo o que conseguimos dentro da atual realidade. Estamos deixando o álbum conquistar por si só as coisas, sem muito stress. O Brasil é um país muito legal, mas com vários problemas; tudo muda constantemente, mas nós não. O álbum sairá na America do Norte e estamos super-curiosos para ver as reações das pessoas, mas confiantes. As nossas principais influências são americanas, latinas, e algumas europeias. Vamos começar a correr atrás para tocar pelo mundo, passo a passo e mantendo o foco de sempre; porém revitalizado agora, com mais sabedoria. O Claustro é nossa vida, e o metal o nosso lifestyle.

Fala-nos um pouco da capa. Quem foi o artista e qual é o conceito associado?
A capa foi desenhada pelo artista japonês Toshihiro Egawa (Krisiun, Massacre, Heaven Shall Burn, entre outros). Como o titulo é algo totalmente globalizado, eu queria pessoas de partes diferentes do mundo num mesmo propósito; cada um com sua visão. A banda é brasileira, a produção é de um britânico, o estúdio é de um americano e a capa foi feita por um japonês. O conceito veio a partir da faixa-título que abre o álbum, idealizada por mim, e – após transmitir toda a ideia – o Toshihiro definiu qual caminho seguir. Pode ser interpretada de várias formas, mas é algo totalmente do mundo “moderno”. Download é uma palavra universal e nova e analisando friamente, tudo leva a crer que o WWW (WorldWide War) seria o novo 666 camuflado, invadindo a privacidade de todos. Uma nova besta!

Uma guerra mundial poderia ser totalmente arquitetada virtualmente, sem que ninguém se apercebesse – isso se já não estiver acontecendo… O fato é que a maioria das pessoas estão sendo vigiados, cada vez mais expostas e fazem questão de aparecer mais e mais. No final, a capa revela o fim do mundo, alguns restos de dinheiro espalhados pelo chão, tudo meio em curto-circuito. O ser humano robotizado, mas ainda com coração batendo, sentindo o desespero à flor da pele, arrependido de perder os valores. Uma oportunidade de recomeço da essência da vida, porém com a cobra na árvore, com um monitor na cabeça. Muita loucura, isso aí, mas é de se pensar [risos].

…jamais esquecerei os shows de Portugal e todas as pessoas que conhecemos por aí. De coração.

Trabalharam com o Andreas Kisser dos Sepultura, na faixa “Curva”. Como surgiu a ocasião e como foi o processo?
É nossa música mais preciosa. Apesar de hoje termos uma amizade e respeito mútuo, consideramos o Andreas um ídolo, uma influência. Propôs-se a compor uma música com o Claustro; partiu dele, a ideia e isso não tem preço. Tudo começou na mesa de um bar, tomando algumas/várias cervejas [risos], falando sobre metal e sobre os “curvas” que ficam enchendo o nossa saco. Ficámos lisonjeados com a atitude dele e marcámos dois ensaios. Fizemos a musica, começámos do zero e foi mais um sonho realizado, poder estar interagindo musicalmente com um ícone do metal mundial. Quanto à letra, fizemos algumas anotações na hora, e quando fui para o estúdio, finalizei. Uma honra!

A ligação a Portugal

Já existem datas para promoção do disco na Europa? Contam passar por Portugal?
Datas confirmadas, ainda não. Mas já estamos estudando quando voltaremos; provavelmente em 2017. A Europa é demais e Portugal, em particular, foi um dos lugares mais foda em que tocámos – talvez pela afinidade, pela história, pela mesma língua… jamais esquecerei os shows de Portugal e todas as pessoas que conhecemos por aí. De coração.

Que recordações tens do ultimo concerto em Portugal, no Barroselas?
Barroselas
foi um dos shows mais importantes da minha vida. Meu irmão Caio não estava na batera, teve um grave problema de saúde no meio da tour. O Xandão (Andralls/Nuclear Warfare/Onfire Booking) era o nosso manager e segurou com atitude na batera. Seria um sonho poder voltar a esse grande festival com este álbum, meu irmão curado e mais forte do que nunca na batera, um guitar novo que revitalizou… estamos prontos pra destruir, aí. Gostaria muito de ter uma oportunidade e poder voltar, de verdade. Foi o festival mais bem organizado que já vi, e apesar de todos os imprevistos, fiquei 100% satisfeito com o nosso show no SWR Barroselas. Fomos muito bem recebidos pela organização e pelos fãs. Jamais esquecerei.

Alguma palavra para os seguidores portugueses?
Nos aguardem em 2017, estamos dando o sangue pra voltar. Queremos fazer algo especial em Portugal, somos parceiros e temos que juntar forças. O metal é algo que une as pessoas, independente de crenças, política, etc. Eu prometo fazer a cabeça de todos quando voltarmos. Metal or Die.

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